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Jane Costa

O estudo dos triatomíneos, percevejos hematófagos, transmissores de Trypanosoma cruzi, (agente etiológico do mal de Chagas) foi impulsionado com a descoberta da Tripanosomíase Americana por Carlos Chagas em Lassance, Minas Gerais, em 1909. Desde então, ficou evidente que uma nova e intrigante área de investigação se descortinava e que hoje se alinha com o desenvolvimento da ciência, abraçando as mais modernas técnicas e metodologias de pesquisa que agregam colaborações e parcerias no Brasil bem como no exterior. Infelizmente, apesar de todo avanço científico e conceitual no entendimento da doença de Chagas esta endemia ainda permanece como uma séria ameaça, principalmente para as populações rurais e menos favorecidas. O controle vetorial é o ponto chave para minimizar a transmissão da doença, já que vacinas ou tratamento eficaz para a fase crônica da infecção, apesar de incansáveis esforços, ainda estão por ser desenvolvidos. O íntimo contato dos insetos vetores infectados por T. cruzi, com os seres humanos é propiciado, principalmente pela precariedade das moradias nas áreas rurais, o que cria condições favoráveis à infestação das casas pelos triatomíneos.

Muito se avançou no controle vetorial na América Latina, onde Triatoma infestans (o principal vetor foi eliminado). Entretanto, os desafios continuam devido, principalmente, à capacidade de adaptação dos triatomíneos as rápidas mudanças ambientais, bem como pelo aumento de casos da doença por via oral. Assim, a abordagem multidisciplinar sobre os vetores vem ocupando um papel de destaque para um melhor direcionamento das medidas de controle, bem como, para uma precisa avaliação dos riscos de transmissão em uma determinada área. Novas metodologias vêm também sendo aplicadas principalmente na área de modelagem ecológica abrangendo não só a distribuição dos triatomíneos como também a análise de áreas de maiores riscos de transmissão. Deste modo, procuramos projetar neste espaço virtual algumas das várias facetas pelas quais é possível se visualizar e contextualizar os vetores de Chagas, no qual incluímos: sistemática clássica, molecular e bioquímica, morfologia, ultraestrutura, biologia, fisiologia, comportamento e ecologia como também controle de vetores. Cada um destes tópicos foi desenvolvido por especialistas de uma forma sucinta, porém abrangente. Destacamos ainda a educação voltada para estudantes de todos os níveis. Esta área apresenta uma abordagem interativa ilustrada, voltada para estudantes do primeiro nível escolar e um link para um manual técnico que inclui um enfoque geral sobre a doença e informações relevantes sobre os vetores.

Este manual está direcionado para os técnicos das secretarias de vigilância sanitária e estudantes de segundo e terceiro graus. Sendo assim, neste site sobre vetores, procuramos apresentar um contexto multidisciplinar e sinérgico que possa traduzir o panorama geral na área da entomologia demonstrando os esforços, a importância e a aplicabilidade desta área no controle da endemia Chagásica.

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