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Luciana L. A. Ribeiro Garzoni
Patrícia Canto Ribeiro
Marco Antônio Menezes

Vice-Presidência de ambiente, Atenção e Promoção da Saúde – Fiocruz
Email: vpaaps@fiocruz.br

No Brasil, as primeiras iniciativas envolvendo agentes comunitários de saúde foram desenvolvidas e validadas na década de 70 em Planaltina, município rural próximo a Brasília, com os então chamados auxiliares de saúde. A experiência foi ampliada para o estado do Ceará na década de 80, resultando na redução significativa da taxa de mortalidade infantil a partir da melhoria do acesso das gestantes e crianças a assistência hospitalar, bem como, ao acompanhamento do desenvolvimento infantil. A partir de uma estratégia de municipalização de equipes de saúde envolvendo agentes de saúde, enfermeiros e posteriormente médicos foi originado então, o Programa Saúde da Família que na década de 90 foi expandido pelo Ministério da Saúde para todo o país. Atualmente, no entanto, verifica-se a necessidade de atualização das equipes com profissionais especializados em saúde da família, sendo fundamental a abordagem nas universidades e em ações de formação continuada para as equipes já existentes (1).

Com a mudança no perfil epidemiológico,entende-se que a atualização dos profissionais da Estratégia Saúde da Família deva ser focada principalmente nas doenças do mundo moderno como as doenças crônicas não infeccionas incluindo por exemplo as doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e outros problemas como álcool, drogas e violência (1). No entanto, as doenças negligenciadas incluindo a doença de Chagas e outras doenças infecto-parasitáriasque afetam principalmente as populações mais vulnerabilizadas, continuam a ser um problema grave, sendo sua erradicação uma das metas dos objetivos do desenvolvimento sustentável da agenda 2030 da ONU, da qual o Brasil é signatário. A volta do Brasil ao mapa da fome recentemente, aponta para a necessidade de atenção redobrada aos agravos associados com as populações negligenciadas.

O Brasil, que apesar de ter recebidoem 2006 da Organização Panamericana de Saúde o certificado de controle do principal vetor da doença de Chagas, o Triatoma infestans,apresenta aproximadamente 3 milhões de pessoas infectadas pelo Trypanosoma cruzi. Os casos de infecção crônica não são de notificação compulsória no país e por se tratar de uma doença silenciosa, muitos pacientes são diagnosticados apenas quando as alterações cardíacas e ou digestivas já estão bastante avançadas, e mesmo assim, apenas quando o profissional de saúde suspeita de doença de Chagas. Além dos casos crônicos invisibilizados no país, temos ainda os casos de infecção vetorial oral na região da Amazônia Legal (2) e ainda por meio da infecção vetorial clássica em função das altas taxas de domicialização de outras espécies de vetores como por exemplo o Triatoma brasiliensis em estados da região Nordeste como o Piauí (3). Em função disso, ações pontuais e pulverizadas, vem sendo realizadas para formaçãocontinuada de profissionais da Estratégia Saúde da Família do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e agentes de endemias, bem como, com a população,visando a melhoria do acesso das pessoas infectadas pelo T. cruzi ao diagnóstico, ao tratamento e o controle vetorial. Nesse contexto, a Estratégia Saúde da Família apresenta papel fundamental na prevenção e controle da doença de Chagas, uma vez que as equipes estão presentes nas regiões mais remotas do país e nas áreas urbanas, aonde grande parte das pessoas infectadas originarias de áreas endêmicas nas décadas passadas, residem atualmente. No entanto, ações integradas, intersetoriais e em larga escala precisam ser induzidas para garantir que os profissionais de saúde incluindo agentes de endemias, agentes comunitários de saúde, enfermeiros e médicos possam atuar, garantindo assim o controle vetorial e o acesso das pessoas infectadas ao diagnóstico e ao tratamento da doença de Chagas.